Poucos lugares no mundo são tão surpreendentes quanto a Islândia. Um país onde o gelo encontra o fogo, onde o silêncio é absoluto e o céu, em certas noites, dança em tons de verde, rosa e vermelho.
Durante 17 dias, percorremos toda a ilha de carro, em uma jornada que revelou uma natureza poderosa, cidades pequenas e acolhedoras, e uma sensação constante de estar em outro planeta.
Chegada e início da jornada
Não há voos diretos do Brasil para a Islândia, então chegamos ao país pelo aeroporto internacional de Keflavík, com conexão em Frankfurt. Logo na chegada, retiramos nosso carro alugado — e aqui vai uma dica importante: recomendo fortemente escolher um veículo com tração 4×4.
As condições climáticas e o tipo de estrada no país podem mudar rapidamente, e ter um carro adequado faz toda a diferença na segurança e no conforto.
Para quem prefere não dirigir, a Sonho Real Turismo conta com excelentes parceiros locais e pode organizar um carro privativo com motorista durante todo o trajeto, garantindo a mesma liberdade e flexibilidade da road trip, mas com mais comodidade.
Nós optamos em dirigir, mas com o suporte constante de uma empresa islandesa parceira da Sonho Real, que acompanhava nosso itinerário à distância e estava sempre disponível para ajudar em caso de qualquer imprevisto.
Do aeroporto, seguimos direto para Reykjavík, a charmosa capital islandesa, ponto de partida do roteiro que inicialmente cobriria apenas o sul da ilha, mas que acabou se transformando em uma volta completa pela Islândia.
As cachoeiras e paisagens do sul
Logo nos primeiros dias, a Islândia mostrou a que veio. Seguimos rumo a Vík í Mýrdal, um dos vilarejos mais charmosos do sul, cercado por montanhas, praias de areia preta e penhascos dramáticos.
A estrada que liga Reykjavík a Vík é uma das mais bonitas do país, pontuada por cachoeiras, campos de lava e vistas abertas para as geleiras que dominam o horizonte.Nossa primeira parada foi na Seljalandsfoss, uma das cachoeiras mais fotografadas da Islândia. O diferencial é que é possível caminhar por trás da queda d’água, o que permite observar o cenário sob outra perspectiva — e sentir na pele a força da natureza islandesa.
Logo adiante está a Skógafoss, uma parede d’água monumental com 60 metros de altura, cercada por um verde intenso. O sol, quando aparece, cria arcos-íris constantes nas gotículas de água, e há uma escadaria ao lado que leva até o topo, de onde se tem uma vista espetacular da planície.





Seguindo pela costa, chegamos ao penhasco de Dyrhólaey, de onde se avista a praia de Reynisfjara, uma das mais impressionantes da Islândia. A combinação da areia negra vulcânica, das colunas de basalto e do oceano Atlântico batendo forte na costa cria um visual cinematográfico.
Conta-se que as formações de basalto conhecidas como Reynisdrangar surgiram quando dois trolls tentaram arrastar um navio de três mastros para a praia — mas, ao nascer do sol, foram transformados em pedra.




Foi também nessa região que vivenciamos uma das experiências mais incríveis da viagem: a visita à Katla Ice Cave, uma caverna de gelo formada sob a geleira Katla, próxima à vila de Vík. O passeio é feito com veículos 4×4 e guiado por profissionais locais, e o visual lá dentro é hipnótico — camadas translúcidas de gelo vulcânico que refletem a luz em tons de azul, branco e cinza.







Em outro dia, caminhamos até o Sólheimasandur Plane Wreck, os destroços de um avião militar americano que caiu em 1973 e permanece até hoje sobre a areia vulcânica.A trilha de 4 km em cada trecho é longa e reta, parece não ter fim, mas o esforço é recompensado pela imagem do avião prateado isolado no meio do nada — um cenário fascinante.
Para quem prefere evitar a caminhada, é possível reservar antecipadamente um ônibus que faz o trajeto entre o estacionamento e o local do avião, economizando assim a caminhada de aproximadamente 8 km.




Do gelo ao silêncio absoluto
Deixando Vík, seguimos em direção ao sudeste da ilha, rumo à região glacial de Jökulsárlón, uma das mais impressionantes da Islândia. No caminho, o Fjaðrárgljúfur Canyon nos surpreendeu com suas paredes verde-esmeralda e curvas perfeitas.
Continuando a viagem, exploramos Skaftafell, dentro do Parque Nacional Vatnajökull, uma área que combina montanhas, campos de lava e geleiras. As trilhas são lindíssimas e revelam a grandiosidade do maior parque nacional da Islândia.
Nos hospedamos no Fosshotel Glacier Lagoon, um hotel moderno e acolhedor, cercado por um cenário de natureza bruta. E foi ali que vivemos o ponto alto de toda a viagem: a primeira aurora boreal.
Para quem nunca viu, a aurora boreal é um fenômeno natural que acontece quando partículas solares entram em contato com a atmosfera da Terra, produzindo luzes coloridas que dançam no céu. O índice que mede sua intensidade é o KP, que vai de 0 a 9 — quanto maior o número, mais forte o espetáculo.Naquela noite, o céu estava completamente limpo, e por volta das 22h começaram a surgir as primeiras luzes. Aos poucos, elas se transformaram em ondas de cor verde intensa, misturadas a tons de rosa e vermelho. O índice era KP 6, e as luzes dançaram por horas sobre nossas cabeças. Ficamos ali, em silêncio, observando — foi, sem dúvida, a noite mais bonita e emocionante de toda a viagem.






No dia seguinte, fizemos um passeio de barco tipo Zodiac pela Jökulsárlón Glacier Lagoon, navegando entre icebergs flutuantes que se desprendem da geleira Breiðamerkurjökull. O contraste entre o azul do gelo, o silêncio absoluto e o frio cortante criou uma das cenas mais poéticas que já vivemos.
Terminamos o dia na Diamond Beach, logo em frente à lagoa, onde os pedaços de gelo que chegam até o mar são trazidos de volta pela maré e repousam sobre a areia negra, brilhando como diamantes espalhados pela costa.






Rumo ao norte da Islândia
A travessia do sul ao norte foi o trecho mais longo da viagem — quase sete horas de estrada, cruzando paisagens que pareciam mudar a cada curva. Saímos bem cedo, e seguimos rumo a uma das áreas mais remotas e menos exploradas do país.
Nossa primeira parada foi no Stuðlagil Canyon, o cânion é formado por colunas de basalto perfeitamente simétricas, banhadas por um rio de águas azul-turquesa que corta o vale. Dizem que no verão a cor da água fica ainda mais cristalina, deixando o cenário impossível de descrever.
Seguimos depois para a região do Lake Mývatn, uma das áreas vulcânicas mais ativas do país. O lago é cercado por formações de lava, crateras e piscinas termais. A paisagem é completamente diferente de tudo o que tínhamos visto até então — um misto de tons ocres, vapores saindo do solo e o cheiro marcante de enxofre no ar.
Ali perto, visitamos a área geotérmica de Hverir, onde o solo literalmente ferve. É um lugar quase extraterrestre, com poças de lama borbulhante, fumarolas e nuvens densas de vapor que sobem do chão. O cheiro é forte, mas é fascinante: ver a terra viva, pulsando sob nossos pés, é uma lembrança marcante.
Já no fim da tarde, fizemos uma parada em Goðafoss, a chamada “Cachoeira dos Deuses”, uma das mais majestosas da Islândia. Suas quedas semicirculares formam um arco perfeito, e o som da água ecoando entre as rochas cria uma atmosfera poderosa e serena ao mesmo tempo.



Chegamos a Akureyri, conhecida como a capital do norte, no entardecer. A cidade é charmosa e vibrante, com casinhas coloridas, lojas locais e cafés aconchegantes. No dia seguinte, embarcamos em um passeio de barco para avistar baleias, uma das atividades mais procuradas da região.
Tivemos sorte: uma enorme baleia-jubarte surgiu a poucos metros do nosso barco, emergindo lentamente até mostrar toda a cauda antes de desaparecer novamente nas águas geladas. Foi um daqueles momentos que o tempo parece parar.
Depois do passeio, aproveitamos o resto do dia para caminhar pela cidade, tomar café e provar o famoso cachorro-quente islandês, feito com pão preto, a massa é preparada com ingredientes vulcânicos. Uma combinação curiosa e deliciosa — e uma pausa perfeita para encerrar mais um dia inesquecível dessa jornada pelo norte da Islândia.





Cenários remotos
Deixamos Akureyri e seguimos rumo à Península de Snæfellsnes, uma região muitas vezes chamada de “a Islândia em miniatura” — porque reúne, em um só lugar, tudo o que o país tem de mais característico: montanhas, campos de lava, praias negras, falésias, geleiras e vilarejos costeiros.
A estrada é linda e tranquila, passando por pequenas cidades e extensas planícies.
Nos hospedamos por duas noites em pequenos chalés isolados, cercados apenas por natureza e silêncio absoluto.
Adoramos explorar a península em cada curva da estrada revelava um cenário completamente novo:
O Kirkjufell, montanha em formato cônico que se tornou um dos cartões-postais do país e cenário da série Game of Thrones;
A praia de Djúpalónssandur, coberta por seixos negros e marcada pelos restos de um naufrágio de 1948;
A igreja preta de Búðir (Búðakirkja), isolada em meio a um campo de lava, contrastando com o verde da paisagem e o azul do mar ao fundo.






Antes de retornarmos à capital, vivemos uma experiência inesquecível no Panorama Glass Cottage, uma cabana em meio à natureza.
A ideia de dormir em uma “cabana de vidro”, com a aurora boreal dançando em cima das nossas cabeças, foi o que nos motivou a buscar essa hospedagem.
Mas choveu durante a noite e o céu permaneceu fechado — não vimos a aurora naquele dia, mas a experiência foi única, e nós adoramos a sensação de estar naquele lugar.



O Círculo Dourado e o retorno a Reykjavík
Percorremos o famoso Golden Circle, um circuito clássico que concentra alguns pontos naturais e emblemáticos da Islândia — e que resume perfeitamente a diversidade do país.
A primeira parada foi no Þingvellir National Park, um lugar de grande importância histórica e geológica. Foi ali que se formou o primeiro parlamento islandês, no século X, e também onde é possível ver — e até mergulhar — entre as placas tectônicas da América do Norte e da Eurásia, na fenda conhecida como Silfra.
Seguimos para a Geysir Geothermal Area, onde o solo ferve e o ar é cortado por vapor quente. O destaque é o gêiser Strokkur, que entra em erupção a cada poucos minutos, lançando jatos d’água fervente a mais de 30 metros de altura — um verdadeiro espetáculo da natureza.
Logo depois, visitamos a Gullfoss Waterfall, uma das cachoeiras mais imponentes da Islândia. A força da água despencando em dois níveis dentro de um cânion profundo cria uma névoa constante, e o som é tão intenso que parece ecoar por todo o vale. É um daqueles lugares que lembram o quanto a natureza islandesa é grandiosa e indomável.
Encerramos o circuito na Kerid Crater, uma cratera vulcânica inativa com um lago azul-esverdeado em seu interior. O contraste entre as paredes avermelhadas e a cor da água é impressionante, e é possível caminhar por toda a borda da cratera — que foi o que fizemos, a sensação é indescritível.





De lá, retornamos a Reykjavík, onde passamos os últimos dias da viagem.
A capital islandesa é vibrante e acolhedora, com ruas limpas, arquitetura moderna e um charme escandinavo que conquista. Visitamos a catedral Hallgrímskirkja, símbolo da cidade, conhecemos o Reykjavík Art Museum – Hafnarhús, um espaço moderno e cheio de personalidade, outro destaque foi o Perlan, construído sobre tanques de água geotermal. Lá dentro, visitamos exposições interativas sobre vulcões, geleiras e auroras boreais, além de uma caverna de gelo artificial. No topo, o mirante 360° oferece uma das vistas mais bonitas da capital — especialmente ao pôr do sol.
Entre uma visita e outra, aproveitamos para explorar cafés, lojinhas locais e descansar, revivendo cada lembrança dos últimos dias dessa viagem inesquecível.







Em Reykjavík fizemos um tour noturno de caça à aurora boreal, mesmo depois de já tê-la visto, é impossível se cansar desse espetáculo natural. Cada aparição da aurora é diferente — muda de forma, de cor e de intensidade —, e parece sempre a primeira vez.
E nossa última experiência no país: um voo de helicóptero sobre as geleiras e os vulcões islandeses.
Durante o trajeto, sobrevoamos paisagens surreais — montanhas cobertas de neve, crateras e rios de lava solidificada.
Fizemos até uma parada em uma área vulcânica ativa, onde caminhamos por alguns minutos.
Ver tudo de cima, de um ângulo completamente diferente, foi incrível — e foi assim que encerramos essa jornada pela Islândia.





Mais do que um destino, a Islândia é uma sensação: a de se sentir pequeno diante da natureza e, ao mesmo tempo, profundamente conectado a ela.
A Sonho Real Turismo oferece roteiros personalizados para a Islândia, com acompanhamento local, suporte completo e experiências sob medida — seja para quem sonha em ver a aurora boreal, percorrer o país em uma road trip ou vivenciar o melhor das paisagens islandesas com conforto e segurança.
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