Fazer um cruzeiro pelo Alasca é uma forma muito interessante de conhecer o sudeste do estado, uma região recortada por ilhas, canais, florestas, montanhas e geleiras, onde muitas comunidades sequer possuem ligação rodoviária com outras partes do Alasca.
Nossa viagem foi um cruzeiro de 8 dias e 7 noites, com saída e retorno a Vancouver, a bordo do Serenade of the Seas, da Royal Caribbean. Mas, mais do que o navio, o que fez diferença nessa viagem foi o roteiro escolhido: navegamos pelo Inside Passage, com paradas em Sitka, Juneau, Skagway e Ketchikan. E esse é um dos primeiros pontos que considero importantes ao escolher um cruzeiro pelo Alasca.
O que é o Inside Passage?
O Inside Passage é uma rota costeira protegida que atravessa o arquipélago do sudeste do Alasca, navegando entre ilhas, canais e fiordes em vez de permanecer apenas em mar aberto. A região concentra paisagens formadas por geleiras, florestas e uma grande diversidade de vida selvagem.
Para mim, essa foi uma das melhores escolhas do roteiro.
Nos dias de navegação, muitas vezes tínhamos terra, montanhas e ilhas próximas ao navio. Isso transforma o próprio deslocamento em parte da viagem.



Dica Sonho Real: leve um binóculo
Vale muito a pena colocar um bom binóculo na mala.
Durante a navegação conseguimos avistar baleias em duas ocasiões, embora estivessem distantes, além de uma bald eagle, a águia-de-cabeça-branca tão associada ao Alasca.
Não existe garantia de avistamento, naturalmente. Estamos falando de animais em seu habitat. Mas o próprio turismo oficial do Alasca recomenda ficar atento principalmente durante a passagem por canais mais estreitos e áreas próximas à costa. Baleias-jubarte e orcas frequentam as águas protegidas do Inside Passage.
Por isso, os dias de navegação nesse roteiro não devem ser considerados simplesmente dias para aproveitar o navio. Eles também fazem parte da experiência no Alasca.
Qual a melhor época para fazer um cruzeiro pelo Alasca?
A temporada tradicional de cruzeiros pelo Alasca acontece entre maio e setembro, embora algumas companhias tenham saídas também em abril e outubro. O período de maior movimento é entre junho e agosto.
Nós viajamos no final de agosto e aqui deixo uma observação baseada no que encontramos.
Se a expectativa é encontrar montanhas com maior quantidade de neve remanescente e uma paisagem com aspecto mais invernal, eu consideraria viajar mais próximo ao início da temporada de cruzeiros, especialmente em maio. No final de agosto, o degelo sazonal já estava bastante avançado e encontramos pouca neve nas montanhas.
Vale entender essa diferença: a neve que vemos cobrindo as montanhas é, em grande parte, aquela que se acumula durante o inverno e derrete com a chegada dos meses mais quentes. Já as geleiras são enormes massas de gelo formadas pela neve que se acumulou e foi compactada ao longo de muitos anos. Por isso, mesmo quando as montanhas já perderam boa parte da cobertura de neve, ainda é possível encontrar grandes geleiras. Em Juneau, por exemplo, tivemos a oportunidade de sobrevoar uma extensa região glacial.
Para quem deseja observar a vida selvagem, especialmente ursos e baleias, os meses de verão também oferecem boas oportunidades, incluindo agosto e setembro.
Cada período, portanto, proporciona uma experiência diferente.
Sitka: natureza, cultura Tlingit e vida selvagem
Sitka foi nossa primeira parada no Alasca.
O terminal de cruzeiros fica afastado do centro, mas existe transporte gratuito para os passageiros. Os ônibus fazem o percurso regularmente e os horários são organizados considerando a permanência dos navios na cidade.
O próprio terminal tem lojas, cafeterias e opções para quem prefere permanecer por ali, mas recomendo ir ao centro de Sitka. É pequeno, agradável para caminhar e reúne restaurantes e lojas.
Do centro seguimos a pé até o Sitka National Historical Park, que tem entrada gratuita. Uma das principais atrações é a Totem Trail, uma trilha praticamente plana que atravessa a floresta temperada e reúne totens Tlingit e Haida, além de passar pela região onde ocorreu, em 1804, a batalha entre os Tlingit e os russos.
Essa é uma parada que ajuda a entender uma característica importante de Sitka: a cidade reúne influências indígenas e russas que fazem parte da história do sudeste do Alasca.



Do parque continuamos caminhando até o Alaska Raptor Center, um centro dedicado à recuperação de aves de rapina feridas. Entre elas estão as bald eagles. Quando possível, as aves tratadas são devolvidas à natureza; aquelas que não têm condições de retornar permanecem sob os cuidados do centro.
Depois pegamos um táxi até o Fortress of the Bear, um centro de resgate onde pudemos observar de perto ursos-pardos e ursos-negros.
Foi uma maneira muito interessante de combinar, em uma única parada, caminhada, natureza, cultura e contato mais próximo com a fauna do Alasca.
E Sitka mostrou também que nem sempre é necessário comprar uma excursão do navio para aproveitar bem uma parada. Dependendo do perfil do passageiro, é perfeitamente possível organizar parte do dia de maneira independente.



Juneau: o Alasca visto do alto
Juneau, capital do Alasca, foi uma das experiências que mais se destacaram na viagem.
O centro fica muito próximo da região onde chegam os navios e pode ser facilmente explorado a pé.
Nossa escolha foi fazer um sobrevoo de hidroavião pelo Juneau Icefield.



O Juneau Icefield ocupa aproximadamente 3.885 quilômetros quadrados e dá origem a 38 grandes geleiras. É uma dimensão difícil de compreender.
Nosso voo durou aproximadamente 40 minutos e passou por cinco geleiras: Norris, Taku, Hole-in-the-Wall, East Twin e West Twin, além de montanhas, rios e áreas formadas pelo degelo. Observar essa região do alto muda completamente a percepção da dimensão das geleiras.



Depois do voo ainda tivemos tempo para caminhar pelo centro, entrar nas lojas e aproveitar que nosso navio permaneceria em Juneau até mais tarde.
Onde comer em Juneau: Tracy’s King Crab Shack
Para o jantar escolhemos o Tracy’s King Crab Shack, conhecido principalmente pelas grandes pernas de king crab (caranguejo-real).
É um lugar bastante casual, descontraído e concorrido. Havia fila quando fomos, mas a experiência valeu a pena e eu incluiria novamente em uma passagem por Juneau.



Skagway: uma cidade que parece cenário de outra época
Skagway provavelmente foi a cidade que mais me surpreendeu visualmente.
A sensação ao caminhar pelo centro é de estar em um cenário de uma série ambientada no final do século XIX. E isso não acontece por acaso.
Skagway teve papel importante durante a Klondike Gold Rush de 1897–1898, quando milhares de pessoas chegaram à região em busca de uma rota para os campos de ouro do Yukon. Muitos edifícios daquele período foram preservados ou restaurados.
As fachadas antigas e as passarelas de madeira ajudam a manter essa atmosfera.
Skagway fica ainda no extremo norte do Inside Passage e muito próxima do território canadense do Yukon, outro detalhe que ajuda a compreender sua importância histórica como porta de entrada para as rotas utilizadas durante a corrida do ouro.



Nesse dia dividimos a família.
Meu marido e meu filho escolheram uma programação mais ativa, com passeio de bicicleta junto ao lago e depois uma trilha a pé.



Eu e minha filha fizemos uma experiência ligada a outra tradição do Alasca: o mushing, a condução de trenós puxados por cães.
Fomos até um campo de treinamento de cães de trenó. Como viajamos no verão e não havia neve, o trenó tradicional é substituído por um veículo adaptado com rodas. Além do percurso com os cães, conhecemos a estrutura de treinamento, entendemos melhor a atividade e vimos também os filhotes.
Os cães utilizados nesse tipo de atividade são principalmente Alaskan Huskies, selecionados pelas características necessárias ao trabalho, como resistência e disposição para correr.



Dica Sonho Real: almoço no centro de Skagway
Para um almoço rápido, descontraído e delicioso no centro da cidade: Skagway Brewing Company. Entre as cervejas produzidas localmente está a Spruce Tip Blonde Ale, feita com brotos jovens de spruce, árvore muito presente nas florestas do Alasca. Uma boa parada para quem gosta de conhecer cervejarias locais.
Ketchikan: cultura, salmões e a tradição dos lenhadores
Ketchikan foi nossa última parada.
A cidade fica no extremo sul do Inside Passage e é cercada pela Tongass National Forest, uma área de quase 17 milhões de acres e a maior floresta nacional dos Estados Unidos.
Essa floresta temperada úmida ocupa grande parte do sudeste do Alasca e ajuda a explicar a paisagem extremamente verde que acompanha boa parte da viagem.
Ketchikan também possui uma forte ligação com os povos Tlingit. Em língua Tlingit, a cidade é chamada Kichx̱áan, e os materiais oficiais locais destacam a presença desses povos na região há milhares de anos.
O centro é fácil de percorrer a pé, com restaurantes, galerias e muitas lojas. Vale observar especialmente produtos identificados como Made in Alaska e peças de arte indígena autêntica, diferenciando-os dos souvenirs produzidos fora do estado.
Uma das áreas mais conhecidas para caminhar é Creek Street, parte histórica da cidade e hoje ocupada por lojas e galerias.



Great Alaskan Lumberjack Show
Em Ketchikan também assistimos ao Great Alaskan Lumberjack Show.
O espetáculo é inspirado na tradição madeireira da região e apresenta diferentes provas de habilidade dos lenhadores. Na nossa apresentação, a competição era Estados Unidos x Canadá, com participação do público e várias demonstrações.
É um programa leve e divertido, mas que ao mesmo tempo faz referência a uma atividade que teve grande importância na história econômica da região.
Depois do show, meu marido e meu filho ainda fizeram uma trilha, enquanto eu e minha filha aproveitamos o restante do tempo para caminhar pelo centro e pelas lojas.



Salmões e vida selvagem fazem parte da viagem
Uma das coisas que mais chama atenção em um cruzeiro pelo Alasca é que a vida selvagem não está restrita a um lugar específico.
Bald eagles aparecem em diferentes lugares. Baleias podem surgir durante a navegação. Dependendo da região e da época, há possibilidade de encontrar ursos, focas, leões-marinhos, lontras e outros animais.
Os salmões também fazem parte desse ecossistema e, durante a temporada de migração, podem ser vistos retornando aos cursos d’água para reprodução.
O importante é viajar entendendo que tudo depende da natureza. Os avistamentos não são programados e nunca devem ser garantidos. É justamente essa imprevisibilidade que torna a experiência interessante.



E é possível ver aurora boreal durante um cruzeiro pelo Alasca?
Sim, mas novamente: não é garantido.
Nós viajamos no final de agosto e, em uma das noites, conseguimos ver uma aurora boreal do navio. Ela estava fraca, com uma faixa verde discreta no céu, mas estava lá.
No início do verão, as noites são muito claras no Alasca, o que dificulta a observação. À medida que o verão se aproxima do fim, as horas de escuridão aumentam e a possibilidade começa a existir novamente.
Se estiver viajando no final de agosto ou setembro, vale acompanhar a previsão de aurora e ficar atento durante a noite.

O que levar para um cruzeiro pelo Alasca?
A principal regra é vestir-se em camadas. Veja nossas dicas no blog.
Mesmo no verão, o clima muda rapidamente. É possível sair com temperatura agradável, enfrentar vento durante a navegação e encontrar chuva algumas horas depois.
É importante ter roupas impermeáveis, uma camada intermediária para aquecer, calçados adequados para caminhar e peças que possam ser colocadas e retiradas ao longo do dia.
E reforço novamente: leve um binóculo. Foi um dos itens que mais fizeram sentido durante a viagem.

Chegue a Vancouver pelo menos um dia antes
Nosso cruzeiro saiu de Vancouver e, para esse tipo de viagem, considero imprescindível chegar pelo menos um dia antes do embarque.
Não recomendo programar um voo internacional para chegar a Vancouver no mesmo dia da saída do navio. Um atraso, cancelamento, problema de conexão ou bagagem pode comprometer toda a viagem.
Na volta, a situação é diferente. Os navios normalmente desembarcam pela manhã e, dependendo do horário do voo e da margem necessária para desembarque, imigração e deslocamento até o aeroporto, é possível seguir viagem no mesmo dia.
Outra alternativa é aproveitar para incluir algumas noites em Vancouver antes ou depois do cruzeiro ou ainda combinar o Alasca com outro destino do Canadá.
Atenção à documentação para brasileiros
Esse é um ponto que merece atenção especial.
Alguns brasileiros podem solicitar um eTA para viajar ao Canadá por via aérea, desde que cumpram os requisitos determinados pelo governo canadense. Porém, essa regra não deve ser confundida com a entrada no Canadá por navio.
Para brasileiros que se enquadram nessa categoria de nacionalidade sujeita a visto, o governo canadense determina que a chegada ao Canadá por barco, inclusive navio de cruzeiro, exige visto canadense de visitante válido; o eTA utilizado para viajar de avião não é suficiente.
Além disso, como o roteiro passa pelo Alasca, é necessário estar com a documentação adequada para entrada nos Estados Unidos.
Portanto, para um brasileiro fazendo um roteiro Vancouver–Alasca–Vancouver, é fundamental verificar tanto a documentação canadense quanto a americana antes da compra da viagem.
As regras migratórias podem mudar, por isso a documentação deve sempre ser reconfirmada nos sites oficiais antes do embarque.
Vale a pena fazer um cruzeiro pelo Alasca?
Depois de fazer a viagem, acredito que o principal diferencial do Alasca está justamente na combinação de experiências.
Em uma semana passamos por pequenas cidades históricas, caminhamos por florestas temperadas, conhecemos um pouco mais da cultura Tlingit, observamos ursos e aves de rapina, sobrevoamos geleiras, conhecemos a tradição dos cães de trenó, vimos baleias durante a navegação e ainda tivemos uma pequena aparição de aurora boreal.
Eu daria atenção especial ao itinerário que percorre o Inside Passage, aos horários disponíveis em cada porto e às experiências oferecidas em terra.
Também escolheria a época levando em consideração aquilo que se espera encontrar. Para quem deseja uma paisagem com maior presença de neve nas montanhas, eu consideraria o começo da temporada. Para quem viaja no final do verão, a paisagem já é diferente, mas essa época também oferece boas oportunidades de avistamento da vida selvagem, incluindo ursos e baleias, além de noites mais escuras e alguma chance de aurora boreal.
No final, um cruzeiro pelo Alasca não é apenas uma viagem de navio. O navio é o meio de transporte que permite percorrer uma região onde a paisagem, a vida selvagem e cada uma das pequenas cidades são o verdadeiro destino.
Quer conhecer o Alasca?
Fale com a equipe da Sonho Real Viagens e Turismo. Planejamos sua viagem de forma personalizada, desde a escolha do melhor roteiro de cruzeiro até os hotéis, passeios e experiências em cada parada.


